domingo, 29 de abril de 2007

IX Porto Cartoon - Uma Vitória Polaca




Cartunista Polaco

Vence IX PortoCartoon



O cartunista Grzegorz Szumovski, da Polónia foi o vencedor do Grande Prémio do IX PortoCartoon-World Festival, organizado pelo Museu Nacional da Imprensa.

O segundo prémio ex-aequo foi atribuído ao brasileiro Osvaldo da Silva Costa e ao italiano Alessandro Gatto. O terceiro prémio foi para Ruan Tang Li, da China.

O trabalho vencedor é relativo ao tema “globalização” e mostra um índio de arco e flecha a disparar um telemóvel.

A elevada qualidade dos trabalhos, levou o júri internacional a atribuir ainda 15 Menções Honrosas a artistas de 10 Países: Bélgica, Brasil, Espanha, Holanda, Irão, Turquia, Itália, Polónia, Israel e Portugal. A Menção Honrosa de Portugal foi para uma caricatura da Pintora Paula Rego, feita pelo cartunista António Santos, de Amarante.

Os vencedores do festival vão receber um prémio monetário e garrafas de Vinho do Porto (reserva especial) para além do troféu e diploma.

O PortoCartoon-World Festival é considerado pela FECO (Federation of Cartoonists’ Organisations), um dos três principais festivais de desenho humorístico do mundo, o que coloca Portugal no pódio dos concursos internacionais de caricatura. A FECO é a mais importante organização internacional de cartunistas representando mais de 2000 artistas de 30 países.

O júri internacional do IX PortoCartoon, presidido mais uma vez pelo cartunista francês Georges Wolinski, integrou ainda Marlene Pohle, Presidente da FECO; Xaquin Marin, director do Museo de Humor de Fene da Galiza (Espanha); Júlio Dolbeth, da Faculdade de Belas Artes do Porto e Luís Humberto Marcos, director do PortoCartoon e do Museu Nacional da Imprensa.

A participação do IX PortoCartoon bateu o recorde dos últimos anos ao receber a concurso mais de 1700 cartoons, de quase 500 cartunistas, de 60 países. Em termos quantitativos, o destaque vai para o Brasil, como país mais participativo com mais de 250 cartoons enviados. Em segundo ficou o Irão, com 134 trabalhos e Portugal surge este ano em terceiro lugar com cerca de 120 desenhos, enviados por 29 artistas.

Contando com a edição deste ano, já são mais de 11600 os cartoons enviados pelos 3550 cartunistas, dos quatros cantos do mundo ao longo dos nove anos de existência do PortoCartoon-World Festival.

A “Globalização” foi o tema escolhido para a nona edição e segundo a organização do concurso “Nunca o processo de globalização foi tão acentuado e com tantas repercussões, como acontece hoje… As suas consequências espalham-se positiva e negativamente em termos económicos, políticos, industriais, comerciais, desportivos, científicos, culturais, etc”…

Com a escolha deste tema, o Museu Nacional da Imprensa pretendeu que os cartunistas de todo o planeta reflectissem com humor sobre o impacto que a Globalização vem tendo nos mais diversos sectores da sociedade, à escala mundial.

Os vencedores do IX PortoCartoon receberão os troféus e os prémios durante a cerimónia de abertura da exposição que decorrerá nas instalações do Museu Nacional da Imprensa, em Junho, aquando das Festas do S. João do Porto.

Organizado anualmente, o PortoCartoon foi lançado em 1999, presidido pelo anterior Presidente da República, Jorge Sampaio, e todos os anos sempre com temas de impacto mundial, recebe milhares de visitantes nas instalações do Museu Nacional da Imprensa, nas diferentes cidades por onde passa, bem como fora de Portugal. No ano passado o melhor do PortoCartoon pode ser visto no Brasil, em Espanha e França.

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Grande Prémio

Grzegorz Szumovski, Polónia

Tema: "Globalização"

S/titulo

2º Prémio ex aequo

Osvaldo da Silva Costa, Brasil

Tema: "Globalização"

Título: "Motorperpetuo"

2º Prémio ex aequo

Alessandro Gatto, Itália

Tema: "Globalização"

Título: "Shopping"

3º Prémio

Ruan Tang Li, China

Sem Título

Tema Livre

Menções Honrosas

Shahorokh Heidari

Irão

Tema “Globalização”

S/ Titulo

Omar Figueiroa Turcios

Espanha

Tema “Globalização”

S/ Titulo

Willem Rasing

Holanda

Tema “Globalização”

S/ Titulo

Ludo Goderis

Bégica

Tema “Globalização”

“Tourists”

Osmani Simanca

Brasil

Tema “Globalização”

S/ Titulo

Eray Ozbek

Turquia

Tema “Globalização”

“Mixer”

Alessandro Gatto

Itália

Tema “Globalização”

“The Pinter”

Jacek Frackiewicz

Polónia

Tema “Globalização”

S/ Titulo

Sergei Sichenko

Israel

Tema Livre

S/ Titulo

Osmani Simanca

Brasil

Tema Livre

S/ Titulo

Dieter Bevers – Quatsch

Bégica

Tema Livre

“Nun”

Zbigniew Pietrzyk – Byjo

Polónia

Tema Livre

“Spring Depression”

Farhad Bahrami Reykani

Irão

Tema Livre

S/ Titulo

António Santos

Portugal

Tema Livre

“pintora Paula Rego”

Albero Morales Ajubel

Espanha

Tema Livre

S/ Titulo

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Ainda te Lembras? - de AC



Num blog de um amigo de longa data, encontrei este seu texto sobre o 25 de Abril. Não resisto a publicar aqui. Sem referência ao seu blog que, segundo ele, é mais do que privado e só alguns, poucos, sabem da sua existência. É pena, porque vale bem a visita.



"
Ainda te lembras?

Ontem fomos para a Baixa, passear. Tretar. Era feriado. Fomos de autocarro (a carta ainda era uma miragem).

Apanhamos o 9. Nunca percebi essa do "apanhar um autocarro".
Porquê apanhar? Logo um autocarro, mas enfim.

Na Praça uma multidão com bandeiras. Vermelhas. No meio do jardim, um palco. Era o Sérgio que estava a cantar, não era? A malta andava de cravo vermelho na lapela. Nós conversávamos. Tretavamos, melhor dizendo. Eu contava-te o que fora o 25 de Abril. O que fora? Bem, o que eu julgava que tinha sido, segundo aquilo que ouvia e o pouco que aprendera nas aulas. Lembro-me que comemos farturas, bebemos café e fumamos uns valentes cigarros - os teus eram SG Filtro. Os meus eram dunhill. Quer dizer, nesse dia eram esses, para armar. Para impressionar. Normalmente eram SG Gigante. Mas com Gigante não se impressionava ninguém...

Depois fomos andando. A pé. Estava um dia propício a andar na rua. Só paramos naquele bar, não sei se te lembras, relativamente perto daquela terra especial que tu sabes qual é. Broa com Presunto. Já lá tinha ido antes e sabia da especialidade. Broa com Presunto e Manteiga.

É verdade, manteiga. Quase que me esquecia dela. Logo eu que a ponho em quase tudo o que como.

Eles festejavam o 14º aniversário do 25 de Abril. O dia da Liberdade. Nós não festejávamos nada. Apenas andávamos juntos de um lado para o outro. Sem compromissos e com o dinheiro contado no bolso. E que contado ele era. Havia muito fim do mês em tão pouca mesada.
Quem diria, eles a festejar a Liberdade e nós, sem saber, a antecipar a nossa Primavera.

Eu não sei se tu ainda te lembras mas aquele foi o penúltimo dia do resto das nossas vidas. É por isso que eles festejam o 25 e nós, tolos, festejamos o 26. O nosso dia. A verdade é que, acasos da vida, não fora essa véspera da nossa vida ser feriado e, se calhar, não estávamos aqui, hoje, a festejar o nosso vinte e seis de Abril. O melhor dia das nossas vidas.

Ainda te lembras?"
AC

A Ler:


"Comunicar com Êxito" de Barry Gibbons, Porto Editora, 2007





"A Génese do Jornalismo Lusófono e as Relações de Manuel Severim de Faria (1626-1628)" de vários autores, Edições Universidade Fernando Pessoa, 2007


( pode adquirir ambos através do site: webboom)

MNI - Foto Reportagem do Comunicatessen - IV:






MNI - Foto Reportagem do Comunicatessen - III:










MNI - Foto Reportagem do Comunicatessen - II:




MNI - Foto Reportagem do Comunicatessen - I:













Museu Nacional da Imprensa - Notícias




O Museu Nacional da Imprensa (MNI) inaugurou hoje a exposição "A Planície: Um Jornal Cultural na Ditadura de Salazar".

O Jornal "A Planície" nasceu em Moura (Alentejo) em 1952 e foi um importante jornal cultural da época, que acolheu alguns dos mais relevantes nomes da escrita portuguesa (Herberto Hélder, Virgílio Ferreira, Mário Cesariny, Fernando Namora, entre muitos outros).

"A exposição mostra alguns dos marcos mais importantes da história de um jornal que sobreviveu apenas doze anos, mas ainda assim conseguiu agitar a sociedade em plena ditadura e projectar ideias de progresso", podemos ler no "press release" do MNI. A exposição integra-se nas comemorações do 25 de Abril.



Entretanto, o MNI e a editora "Campo das Letras" uniram-se na edição de um livro de Alberto Franco sobre o este importante jornal cultural publicado entre 1952 e 1964.




Além desta mostra, os visitantes podem ainda ver a exposição "Jornais Escolares - como educar para o consumo?" uma iniciativa do MNI e do jornal "Público" no âmbito do projecto "Público nas Escolas". Neste espaço temos inúmeros jornais produzidos em várias escolas do país.
Noutra área do espaço "Galeria de Exposições Temporárias do MNI" temos mais 3 interessantes exposições, a saber: "Eça em Caricaturas"; "José Saramago segundo Agostinho Santos - Pintura e Desenho" e alguns dos trabalhos do "VIII Porto Cartoon".


O Museu Nacional da Imprensa está instalado na cidade do Porto, a montante da Ponte do Freixo, a cinco minutos da Estação de Campanhã e mesmo
ao lado da nova Marina do Freixo (E.N.108, nº 206 - Tel: 225 304 966; museuimprensa@mail.telepac.pt). Aberto todos os dias das 15h às 20h.

Bom dia Liberdade! - II


Hoje regressei a Miguel Bombarda, ao seu número 187, antiga sede da Federação Académica do Porto, local de boas e velhas recordações.

Fui ver o documentário "Por Deus e Pela Pátria - Olhando os Homens e as Crianças" de César Mexia de Almeida. Seguiu-se um debate com o autor do filme, o jornalista António Viana, moderado por Luísa Marinho. Uma organização do JUP - Jornal Universitário do Porto.
Aos anos que não entrava nesta casa. Tantos anos e tantas parecenças. Pouco mudou. Como pouco mudou o JUP.

O documentário, filmado entre 1964 e 1967, revelou-me algo que já não via desde 1993 - medo puro, gente petrificada de pavor, olhares distantes e de uma profunda e angustiante tristeza. Assim, desta forma nua e cruel, só em 93 no documentário sobre o massacre de Santa Cruz em Díli, Timor.

Uma imagem vale por mil palavras.

terça-feira, 24 de abril de 2007

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Museu Nacional da Imprensa - 25 de Abril



Museu da Imprensa expõe “A Planície”


Um Jornal Cultural

na Ditadura de Salazar



"O Museu Nacional da Imprensa inaugura 4ª feira, na sua sede, às 15h, a exposição “A Planície: Um Jornal Cultural na Ditadura de Salazar.

Trata-se de uma exposição evocativa do jornal A Planície, nascido no Alentejo (em Moura) e que depressa se estendeu ao país. Teve grande importância cultural, quer pelo papel que desempenhou a meio do regime do Estado Novo, quer pelo acolhimento que recebeu dos principais escritores da segunda metade do Séc. XX, tornando-se num dos mais importantes jornais regionais dos tempos da Ditadura de Salazar.

Nesta exposição, para além de vários originais da “Planície”, podem ser vistos textos de vários escritores, provas com cortes da censura, peças tipográficas, fotografias e suplementos literários. Herberto Helder, Vergílio Ferreira, Mário Cesariny, Jorge Sena, Ferreira de Castro, António Sérgio, Fernando Namora, Fernando Lopes Graça, António Ramos Rosa e Irene Lisboa, são alguns dos nomes patentes. Destaque merecem também, os linóleos de Álvaro Fialho que ilustram várias páginas da “Planície”.

A exposição mostra alguns dos marcos mais importantes da história de um jornal que sobreviveu apenas doze anos, mas ainda assim conseguiu agitar a sociedade em plena ditadura e projectar ideias de progresso.

No âmbito desta mostra será co-editado, pelo Museu Nacional da Imprensa e pela Editora Campo das Letras, um livro de autoria de Alberto Franco sobre o jornal.

Esta exposição integra-se nas comemorações do 25 de Abril, e vem juntar-se às seis mostras que o Museu da Imprensa tem montadas de norte a Sul do país, prosseguindo a sua política de descentralização cultural.

A mostra pode ser vista até 17 de Junho, no horário habitual do museu: todos os dias (incluindo domingos e feriados) das 15h às 20h.

O Museu Nacional da Imprensa está instalado na cidade do Porto, a montante da Ponte do Freixo e a cinco minutos da Estação CP/Metro de Campanhã".




Euro Camp Jeep 2007



O Euro Camp Jeep 2007 realiza-se este ano no sul de França, de 4 a 7 de Julho.


Para já aqui ficam alguns dados da organização:


Mais de 750 Jeeps de toda a Europa
Mais de 1900 Jeepeiros


Que se vão concentrar em La Rouret, um gigantesco Parque Natural, onde existe o "The Resort of Le Rouret" com mais de 80 hectares, 270 casas e 225 apartamentos.




Um dos mais importantes eventos de Todo Terreno Turístico que se realiza na Europa e todo ele dedicado à mítica marca Jeep. Pode ver tudo sobre este evento no Jeep, The Blog - o único blog nacional dedicado a esta marca de viaturas 4X4. Nesse blog pode ainda, clicando no link do Club Jeep Internacional, ver fotos dos Euro Camp Jeep de 2005 e de outros anos.


sábado, 21 de abril de 2007

Lila Downs ao vivo em Guimarães:



Sempre ouvi dizer que os gatos têm 7 vidas. Como sempre tive gatos na minha vida, a experiência ensinou-me que realmente os gatos têm, no mínimo, sete vidas.

Lembrei-me deste pormenor da natureza enquanto assistia, verdadeiramente deliciado e deslumbrado, ao concerto de Lila Downs, esta noite, na Casa da Música. Lila é como uma gata, não sei se com sete vidas mas verifiquei, in loco, com sete vozes. Quis o destino, e a exasperante falta de gosto musical da pátria, que mesmo com apenas duas semanas de antecedência ainda tivesse a possibilidade de comprar bilhetes para a primeira fila. Nunca tal me tinha acontecido. Aliás, quando faltava apenas uma semana, acreditando na página web da Casa da Música, ainda só se tinham vendido algumas dezenas de bilhetes, talvez uma centena.
Por isso, calmamente, cheguei já perto da hora do espectáculo. Primeira surpresa, muita gente. Segunda surpresa, público de todas as idades. Literalmente. Ouvi dizer que Lila Downs foi ao Herman SIC. Talvez por isso. Ou a velha máxima de deixar tudo para a última hora. Bem, isso pouco interessa para o caso.

Pouco passava das 21h quando Lila Downs e os músicos que a acompanharam irromperam pelo palco. Começava uma noite mágica. Entrega total de todos os músicos, Lila Downs e as suas várias vozes ecoavam pelas paredes da Casa da Música, o som, para quem está habituado ao Coliseu (uma miséria) não esteve nada mal. O público entregue. Tudo se conjugava para uma noite inesquecível. Os sons mexicanos de “La Cantina – de copa em copa” misturados com músicas de outros registos, envolviam-nos como o nevoeiro da foz do Douro quando serpenteia por entre as pontes, rio fora. A voz de Lila Downs, não me canso de ouvir, muda de tom com uma facilidade incrível. Tal qual um gato, no caso uma gata, os sons produzidos por esta mexicana, enroscam-se nos nossos ouvidos, ora acalmando-nos, ora levando-nos para outra dimensão. É o México e toda a América Latina em sons, numa noite de Verão, nesta fantástica Casa da Música – um enorme bem-haja a quem decidiu construir esta pérola!

Uma voz, minto, sete vozes, todas diferentes: forte e frágil, chorosa e vibrante, doce e amarga e deliciosa, tudo num só ser.

Lila Downs, tal como Lhasa de Cela, Saoud Massi, Mariza, Teresa Salgueiro, entre outras, faz parte daquele grupo restrito, mesmo muito restrito, de mulheres possuidoras de uma voz própria dos Deuses. Herdeiras de Piaff ou de Amália, daquelas que, independentemente de se gostar ou não do registo musical, nunca se esquece a voz. Mas, Lila Downs, junta a esta dádiva o facto de, provavelmente noutra vida, ter sido uma gata e encarnar agora como humana adaptando uma das características dos bichanos - Lila tem sete vozes e provou-o esta noite na Casa da Música.

No final só queria duas coisas, fumar livremente um cigarro (nisso o Coliseu ganha aos pontos…) e beber uma Tequilha ao som de Lila Downs e outras divas mexicanas (que as há) numa qualquer cantina na Cidade do México, voando de “copa em copa”. Limitei-me ao cigarro…

Por isso, caros amigos, aproveitem e não percam, a 26 de Maio próximo a nova aparição de Lila Downs (que Maio é mês destas coisas) desta feita em Guimarães, no Centro Cultural Vila Flôr.

(Texto publicado em Julho do ano passado no Quando Calhário, adaptado)

2007 - Mais música para os nossos ouvidos:



Block Party - "A Weekend in the city"
Marina Celeste - "Acidulé"
Laura Veirs - "Saltbreakers"
Cocorosie - "The adventues of ..."

e o magnífico "Mi Livro Abierto" de Laura Lopez Castro.



Via Blasfémias - como sempre...

«Uma democracia com decência»

Ricardo Costa no Diário Económico.

»O principal defeito de Pina Moura é não pensar antes de dar resposta aos convites que lhe dirigem. Foi isso que o fez cair em desgraça na política: aceitou ser ministro das Finanças e da Economia ao mesmo tempo e deixou de ser levado a sério; aceitou ser presidente da Iberdrola quando tinha sido ministro da Economia (e condicionado a EDP) e passou a ser olhado de forma suspeita; resolveu ficar sentado no Parlamento, onde não fazia nenhum, e deixou que as suspeitas crescessem. E agora aceitou ser presidente da Media Capital, o grupo de comunicação social com maior capitalização bolsista, dono de uma das duas licenças de televisão hertziana, numa altura em que o Governo é acusado de tentar controlar a comunicação social e quando está (mesmo) a criar um quadro legislativo e normativo que deixaria Estaline tranquilo.

(...)

Nem falo de José Lemos, que é do PS há mais tempo que Pina Moura, que foi duas vezes eleito deputado do PS, e que o acompanha para a administração depois de uma trapalhada gravíssima no CBI e na Caixa de Crédito Agrícola. Nem preciso de dizer que o homem forte da Prisa em Portugal, Miguel Gíl, foi secretário de Estado da Presidência de Felipe González e era o seu braço-direito durante muitos anos.»

(via)

Tirado Daqui

domingo, 15 de abril de 2007

O Novo DN



A entrada de João Marcelino para a direcção do Diário de Notícias, tal como era esperado, implicou profundas alterações.

Estamos perante um novo DN. Profundas alterações de grafismo e de "arrumação" das páginas e conteúdos (um estilo La Vanguardia, por exemplo) que melhoraram a estética deste diário de referência. Na minha opinião de leitor, para melhor.

O destaque dado às crónicas de Alberto Gonçalves é uma enorme mais-valia. O aumento do número de páginas do Internacional (agora "Mundo") é uma boa aposta. O caderno DN-Sport é uma boa ideia (sobretudo se não limitar o "sport" ao futebol).

O que não consigo compreender é o desaparecer da revista . Porquê? Era uma excelente revista, um guia indispensável. Sinceramente é um erro, grave.

Outra chamada de atenção para o crescimento das páginas e notícias de "sangue". Talvez tiques do Correio da Manhã. Talvez.

No geral, estou satisfeito. Sinceramente, o DN está melhor. Ainda bem.

Nota: Espero que não mudem a politica de acesso livre dos conteúdos do site do DN. Mas já agora, podiam refrescar a "cara" do site. Fica a dica.



Liberdade de Imprensa...



A mais violenta campanha contra a Liberdade de Imprensa em Portugal depois do 25 de Abril de 1974 começou com a criação da famigerada ERC. Continua agora com toda a força com o precioso contributo do STJ (Supremo Tribunal de Justiça).
A não perder hoje, sobre este tema, os artigos de Vasco Pulido Valente e António Barreto no Público.


Texto integral do Acórdão - AQUI

sábado, 14 de abril de 2007

Uma boa discussão sobre a Blogosfera - II



Nem de propósito. Ontem no blog Intervenção Maia eu e a Espectadora Atenta começamos a discutir a blogosfera em termos de regulação e hoje, dou de caras com uma notícia sobre o tema no Diário de Notícias. Aqui fica como mais um ponto para a discussão:

"Deve a blogosfera auto-regulamentar-se? O americano Jimmy Wales, co-fundador da Wikipédia, e o irlandês Tim O'Reilly, criador da frase Web 2.0, defendem que sim. Os dois gurus da Net acabam de lançar uma proposta de criação de um código de conduta para blogues, composto por sete regras, que está a suscitar uma acesa discussão nos EUA. O objectivo, diz O´Reilly no seu site radar.oreilly.com, é tentar levar para a blogosfera o conceito de "civismo imposto" e pôr termo às "ofensas e comentários abusivos".

Os especialistas começam por aconselhar que os blogues tenham uma legenda deste tipo: "Isto é um fórum aberto, não sujeito a censura, mas se a discussão chegar ao ponto de insultos, os comentários são apagados". Esta é, aliás, uma das sete regras propostas. não aceitar comentários abusivos, como sejam ameaças, difamações, violações dos direitos de autor, da privacidade ou de confidencialidade.

O'Reilly e Wales propõem ainda que os donos de blogues não permitam comentários anónimos, ignorem ataques, só denunciem ou censurem pessoas depois de falarem com elas e que nunca escrevam o que não seriam capazes de dizer pessoalmente. "Não há qualquer razão para tolerarmos conversas na blogosfera que não tolerávamos na nossa sala de jantar", defende O´Reilly.

Criar regras "é espartilhar"

A tentativa de criar regras para a blogosfera não é nova. E acaba sempre por esbarrar nos que se opõem à auto-regulação deste tipo de páginas. "A blogosfera pressupõe área de liberdade plena, é essa a sua atracção, criar códigos de conduta é espartilhar", reagiu ao DN Carlos Abreu Amorim, do blogue Blasfémias. António Granado, do Ponto Media, concorda. "Cada blogue deve ter a sua própria maneira de se relacionar com o leitor. A credibilidade constrói-se ao longo do tempo. Para mim, não faz sentido banir comentários anónimos, por exemplo"."
- Inês David Bastos, DN.


A entrevista noutro prisma



"Entrevista de Sócrates vista por um em cada três portugueses
Foi o programa de televisão mais visto do dia, segundo a Marktest
A entrevista do primeiro-ministro, José Sócrates, na RTP 1, foi seguida por cerca de um terço dos portugueses, tendo sido o programa de televisão mais visto de quarta-feira, segundo a Marktest.
De acordo com dados da empresa Media Monitor (da Marktest), a entrevista obteve uma quota média de telespectadores superior a 38 por cento, o que corresponde a mais de 3,6 milhões de pessoas. Com uma audiência média de 17,2 por cento, o "Especial Informação - José Sócrates-Dois Anos de Governo" teve início às 21:07, com os canais concorrentes a emitir as telenovelas "Páginas da Vida" na SIC e "Ilha dos Amores" na TVI". - Fonte: JN

Também eu pensava que a maioria dos portugueses se estavam a "borrifar" para a matéria. Puro engano. A entrevista não só liderou as audiências como na parte em que Sócrates explicava a sua situação académica, atingiu o pico de audiência. Aliás, surpresa, quando passou para outros assuntos, o programa foi ultrapassado pela concorrência. Afinal os portugueses gostam é de "fait-divers"...


Uma boa discussão sobre a Blogosfera...

Tudo começou por causa do Abrupto e deste post:


À luz dos recentes acontecimentos, a blogosfera emergiu como parte do processo político pela primeira vez de forma plena. De modo duplo: como local mal frequentado e como centro de vitalidade. Quem vê um sem o outro, engana-se. É como Deadwood, malfeitorias inomináveis, invejas, mesquinhices, ressentimentos, facadas nas esquinas dos comentários, gente vil na sombra do anonimato, mas, ao mesmo tempo, esta lei da selva, altamente competitiva introduz vitalidade, força, vis, numa sociedade amorfa, complacente e muito pouco dinâmica. O balanço do futuro dirá qual dos modos prevalece.

JPP, Abrupto


Colocado no blog Intervenção Maia

e que suscitou os seguintes comentários:


Espectadora Atenta disse...

caro Sá

O futuro da blogsfera está definido como um dos maiores "centros" de intervenção onde não há possibilidade de "pressões" sobre os media. O Blogger é um interlocutor livre, que escreve gratuitamente e expõe ou comunica em/com total liberdade.
Chegamos a uma época em que,com as novas tecnologias, os velhos paradigmas saem de cena e novos paradigmas da comunicação começam a surgir.
As "velhas mentalidades" vão ter de se adaptar a esta nova realidade e se quiserem sobreviver,vão ter de a acompanhar.
Isto já se passa hoje e no futuro irá acontecer com muito mais intensidade e celeridade.
Mas repare, a discussão que se começa a colocar é "um código de ética" para a blogsfera...
Sobre este assunto, deixo-lhe o seguinte comentário (derivado ao seu autor está em castelhano) que traduz literalmente o que penso...

"Si no somos capaces de asumir que la escritura pública y la vida en las comunidades en línea conllevan responsabilidades, entonces seguro que no faltará quien venga desde fuera con la pretensión de imponer una norma que, desde luego, no nos traerá más libertad."

Visite este link para acompanhar a discussão sobre o "código de ética" da Blogsfera...
http://www.ecuaderno.com/2007/04/12/a-vueltas-con-la-etica-bloguer/

Desejo-lhe um excelente fim de semana...

4/14/2007 12:48 AM


FMS disse...

Cara EA:

Fui ver o link e confesso que já o guardei na minha barra dos favoritos - boas matérias e excelentes ligações num tema que me apaixona cada vez mais. Aliás o meu obrigado pois graças ao seu link consegui obter uma informação essencial para um trabalho que estou a fazer.

Mas já agora, mesmo considerando que o Comunicatessen é o melhor lugar para esta discussão, quero que saiba uma coisa:

Um código de ética para a blogosfera? Tenho muitas dúvidas.
Se começamos a criar códigos de ética, regras plasmadas em códigos e outras "tiranias" jurídicas, então será dado o primeiro passo para atingir um objectivo almejado pela classe política: A Mordaça aos blogs.

A Lei nacional, em especial a CRP e o CC, chegam perfeitamente - as ofensas, a difamação e outros crimes similares aplicam-se à blogosfera (matéria que o nosso João e o José Eduardo serão os mais avalizados a desenvolver). Com maior ou menor dificuldade, consegue-se saber quem é o autor de um blog e daí se chega ao autor do crime. Alguns casos serão complicados? Também nalguns crimes a justiça não consegue exercer a sua função. É a vida.

A regulação, os códigos, serão o primeiro passo para a censura. Não tenha dúvidas.

Repare no caso deste blog. Tirando a excepção (Mário Nuno Neves) todos os agentes políticos da Maia recusam-se a responder às questões levantadas neste espaço. Alguns dos referidos nos "post" e comentários fazem de conta - mesmo que nós saibamos perfeitamente que lêem atentamente este blog (pelas conversas tidas connosco e com terceiros, pelas pressões exercidas sobre alguns dos participantes e pelas indirectas noutros fóruns). Durante muito tempo foi uma forma de evitar a propagação da mensagem. Agora como uma tentativa inócua de desvalorizar o conteúdo. Foi um erro. Se tivessem bons conselheiros na área da comunicação, saberiam que a melhor forma de actuar é participar (o vereador MNN já ganhou mais em participar que os seus colegas em tentar silenciar). Como sabem que não é possível (directamente) colocar uma mordaça na "coisa", usam outro tipo de artimanhas - criação de blogs fantasma para desviar a atenção (não resultou), perseguição aos eventuais e potenciais leitores (não foram a tempo), envio de meros peões para gerar a confusão (não é por aí), insinuar violações de estatutos (pior ainda). Imagine se tinham à mão um código, um mero objecto de regulação daqueles muito à nossa moda que dizem uma coisa e o seu contrário? Era o fim.

Compreende agora o meu cepticismo?

Contudo, nos blogs que se afirmam e desejam o estatuto de órgão de comunicação social, aí sim. Mas mesmo nesses casos, a Lei é clara e a ERC pode actuar. Deve ser por isso que muitos jornalistas preferem o simples blog. Não vá o diabo tecê-las...

4/14/2007 3:19 PM


FMS disse...

Agora, como se pode ler no blog do seu link, se não tentarmos nós, bloggers, regular a blogosfera, outros o farão. E não será pela via da Liberdade de Expressão. É verdade. Mas é inevitável, quer exista ou não uma auto-regulação clara.

Veja o exemplo da blogosfera francesa (mais fraquita que a nossa, por sinal). Tanto agora com as presidenciais, como quando foi das manifestações dos estudantes franceses, é aí que as grandes discussões e as denúncias se materializam de forma mais clara e democrática. Ganhe quem ganhar, não tenho dúvidas que procurarão criar o esboço da mordaça.

Veja o nosso exemplo: quando o PM em entrevista na RTP se refere (a contragosto) à blogosfera (de forma altamente depreciativa, por sinal) é um início. Mal possa, quando menos se esperar, a mordaça vai surgir. E daí?

Não vão conseguir. A sociedade digital em que vivemos (a Galáxia Digital) é imparável. Se os blogs forem atacados, outros suportes nascerão para os substituir. É um manancial infinito. O You Tube, o iTunes e outros, passaram pelo mesmo e estão aí, a ditar as regras e a alterar percepções. Não tenho dúvidas que assim será com a blogosfera. Que será ultrapassada não pela mordaça mas por um outro instrumento digital que está a nascer e que será mais um marco na Liberdade de Expressão, o Joost. É só dar tempo ao tempo.

4/14/2007 3:32 PM

Agora vai continuar também aqui no Comunicatessen. Vamos lá então discutir a blogosfera e consequente "regulamentação" e "códigos de ética"...

sexta-feira, 13 de abril de 2007

A Crónica



Foi na Visão que conheci António Lobo Antunes.
Tenho ideia que antes já tropeçara nele numa das prateleiras da FNAC ou da Bertrand e conhecia alguns dados bibliográficos pela imprensa fruto da constante possibilidade do Nobel.

Mas foi a Visão que mo apresentou, numa quinta-feira ao almoço. Entre duas garfadas, lá estava eu entretido a ler a sua crónica semanal. Não foi amor à primeira vista. Estranhei. A escrita e o estilo. Para complicar a situação, não sei porquê, embirrava com o homem. Já o viram a falar na televisão? É a antítese do Marcelo. Lentamente, confesso, a estranheza levou à rotina e desta parti para o vício. Para piorar a situação, na disciplina de Língua e Literatura Portuguesa voltei a cruzar-me com ele. Aos poucos e poucos as suas crónicas começaram a fazer sentido, as suas palavras passaram a ser bebidas, religiosamente, entre dois goles de Luso e uma garfada de churrasco de frango (uma proeza do Miramaia digna de registo).

Nada disto faria sentido estar aqui não fora um simples facto. Hoje levei um murro no estômago. Daqueles fortes e imprevistos. Por artes do Diabo, só agora li a Visão desta semana. Logo na capa, uma chamada: "Lobo Antunes, uma crónica corajosa".

Hum, que coisa estranha. Bem sei que a Visão mudou de visual (assim obriga uma concorrência feroz e bastante competente da Sábado) e eu ainda não me adaptei muito a esta modernice. O que será?
Estas coisas da leitura têm os seus rituais: maço de tabaco e isqueiro à mão, cinzeiro por perto e família longe que isto é coisa feita em sossego. Ora vamos lá ver o que se passa. Irritantemente, as folhas de publicidade demoram a ser ultrapassadas. Aqui está:

"Crónica do Hospital"

Pelo título, para quem as conhece, não chego lá mas desconfio. Um fôlego chegou para a ler. Repito. As paredes do estômago colam. António Lobo Antunes esteve doente, bastante doente. Só ele nesta descrição: "o cancro ratando, ratando, injusto, teimoso, cego. Mói e mata. Mata. Mata. Mata. Mata".

Na ignorância (como foi possível que a Visão tenha passado toda a santa quinta e boa parte de sexta a passear no meu carro sem eu lhe ter dado um minuto de atenção!?) fui apanhado de surpresa. Logo agora que as suas crónicas se entranharam. Não é justo.

Mais à frente soube que o pior já passou. Alívio. Afinal vou continuar a ver o vício alimentado. A ter o prazer de tropeçar novamente em Lobo Antunes. Na Visão. Às quintas. A Crónica. Assim mesmo, em letra grande e gorda, fruto da excelência.
É na Visão que quero continuar a conhecer António Lobo Antunes.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Novamente em acção!

Via Museu Nacional da Imprensa aqui ficam os respectivos convites:







O Comunicatessen já está no Joost. Em breve novidades sobre o tema.